Uma experiência transdisciplinar no ensino de Paisagismo.
DOI:
https://doi.org/10.14295/oh.v13i0.1710Keywords:
Curso técnico em paisagismo, processo de aprendizagem transdisciplinar, formação profissional.Abstract
O paisagismo, embora muitos não o percebam, sempre exerceu uma valiosa função social, pois observa-se sua evolução ao longo da história da humanidade, de forma sincronizada com as mudanças ocorridas em diversos âmbitos da vida humana. Mas no momento histórico em que começam a surgir as primeiras comunidades capitalistas (Renascimento), onde eclode um novo paradigma para se abordar o universo (cartesianismo) e se consolida a especialização do trabalho (revolução industrial), o trabalho do paisagista que, no passado, beneficiava a toda uma sociedade, ficou restrito a uma pequena elite, que o utilizava como símbolo de status e também como ponto de encontro de dirigentes de reinados, para realizarem pactos e alianças econômicas. E é nesse contexto, que surge o arquiteto paisagista, o qual, principalmente na França tem por meta “domar a natureza indomável”.
E devido ao rumo tomado por essa atividade e também pela ciência, ou seja o rumo do paradigma cartesiano, no cenário atual o paisagismo encontra grandes dificuldades em se firmar como uma reconhecida área do conhecimento, devido em grande parte, a manutenção deste paradigma vigente em nossas instituições de ensino.
Kuhn (2005) escreve que paradigma científico é o universo de valores culturais, ideológicos, históricos e epistemológicos que condicionam a produção do conhecimento. Em nosso sistema de ensino, teve sua base filosófica e metodológica construída por René Descartes (1596-1650), que separou o sujeito pensante (ego cogitans) e a coisa extensa (res extensa), isto é, separou a filosofia da ciência, e coloca como verdade as idéias “claras e distintas” (DESCARTES, 2002). A partir deste momento somente o que é tangível e mensurável passa a ser considerado científico e de relevância social.
Em sua segunda regra Descartes (2002) propõe: dividir cada uma das dificuldades encontradas em tantas pequenas partes quanto fosse possível e necessário para melhor resolvê-las. Esta regra, que persiste no ideário acadêmico até os dias de hoje, impossibilita a verdadeira compreensão e o desenvolvimento do paisagismo.
Recentemente, com o advento das grandes megalópoles como São Paulo, Tóquio, Nova Iorque, a humanidade começa a perceber que estamos vivenciando uma problemática sócio-ambiental – a poluição e a degradação do meio, crise de recursos naturais, energéticos e de alimentos - que afeta a sustentabilidade do planeta e questiona a racionalidade econômica e tecnológica dominantes. Esta problemática sócio-ambiental tem levado a sociedade a internalizar novos valores e princípios epistemológicos que orientem a construção de uma nova racionalidade produtiva, sobre bases de sustentabilidade ecológica e equidade social. Neste momento a humanidade começa a “revalorizar” os benefícios proporcionados pelo trabalho do paisagista. (LEFF, 2002)
Diante dessa problemática que envolve instituições de ensino, profissionais, alunos etc, desenvolveu-se uma experiência transdisciplinar na Escola CEPDAP, em Curitiba, Paraná, no curso Técnico em Paisagismo, especificamente no primeiro módulo do curso, o qual envolve as disciplinas de História do Paisagismo, Botânica, Meio
1317
Ambiente e Ecologia e Desenho Geométrico. Essa experiência transdisciplinar de aprendizado objetivou exatamente a quebra do paradigma vigente na formação do paisagista e tentou fazer com que os alunos que vivenciaram a experiência adquirissem uma visão holística e transdisciplinar da profissão de Paisagista.
Downloads
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2007 Michelle Melissa Althaus Ottmann, Aurea Ferriani, Ricardo Borsatto, Carmem de Moraes

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.





